Quarto & Sala

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MORAR só @ Casa e Jardim

Fotos: Gabriel Valdivieso

Texto: Gabriel Valdivieso

a redação mais divertida e jovem do universo “caseiro”  brasileiro, a da revista casa e jardim, me deu uma missão: traçar o perfil dos moradores solitários da cidade de são paulo. o critério era amplo, podia-se e devia-se morar por todos os cantos da cidade, ser solteiro, ter cachorro, gato ou namorado…o que interessava era que se morasse só, no máximo com um filho a tiracolo. e eu o fiz. com um sorriso evidenciando meus belos dentões, rs,  saí de câmera em punho para registrar maneiras novas e descompromissadas de se viver. gente que imprime em suas casas as suas predileções e tem liberdade para criar espaços únicos e despretensiosos.

a matéria está presente na edição de aniversário de 60 anos da revista, e devo evidenciar, está de cair o queixo. não somente pelos belos projetos ali publicados, mas pelo cuidado e esmero da diagramação da sua capa. pelo cuidado e esmero com que foi republicada sua primeira capa, no verso da revista. pelas matérias e ensaios de época assinadas por nada mais nada menos que clarice lispector e carlos drummond de andrade e pelo registro de projetos de vilanova artigas, oscar niemeyer entre outros consagrados da arquitetura nobre e prestigiada brasileira.

parabéns, caros colegas! que trabalho mais lindo. beijos especiais para simone, nuria, mari, natalie. TAMO JUNTO.

CIRO SCHU, 32 anos, grafiteiro, centro – encontrou este apartamento de 90 m² há poucos anos, sob a sombra da estátua de duque de caxias, na praça princesa isabel. as paredes são a extensão de seu grupo de amigos, repletas de pinturas e esculturas. no corredor, bicicletas, livros e suas próprias obras de arte. morar só é liberdade.

FERNANDO SOMMER, 50 anos, empresário, higienópolis – com sorriso farto, recebe seus queridos à porta. colagem de paixões, quebra-cabeça de emoções, o apartamento de 150 m² é aberto aos amigos. papéis de parede italianos, flores frescas e obras de arte escolhidas com afeto resultam em um lar. morar só é tomar banho demorado.

CAROLINE SABET, 32 anos, escritora, vila nova conceição – o ritmo acelerado do balanço swign with the plants, da droog, pulsa chez caroline sabet. dedicada a escrever contos infantis, a moradora leva para seu universo, um apê de 130 m², a alegria da imaginação fértil, dando sentido a lé com cré com um sapato em cada pé. morar só é poder balançar.

EDUARDO CHALABI, 36 anos, arquiteto, jardins – a cadência da arquitetura, a simplicidade da forma e a riqueza de pensamentos estão presentes nos 100 m² do apartamento. tudo na morada cumpre sua função, história e arte sobem pelas paredes. a cara do dono, a casa do chalabi. morar só é não pedir permissão para nada.

MARIE IKONOMIDIS, 30 anos, analista de comunicação, santa cecília – o apê de 120 m² é um labirinto. não por causa das saletas e dos corredores, mas pela exuberância de vida, de conversa e dos brinquedos do filho eric, 10 anos. a coleção de móveis tipo lado B e os objetos impecavelmente escolhidos dão o ar de casa vivida. morar só é desfrutar do espaço.

MARI BRUNINI, 34  anos, relações internacionais, jardins – uma serenidade matutina paira sobre os 102 m² deste apartamento. são os raios da manhã de outono? o chá exalando calma à beira do fogão? o acolhimento se desvenda no papel de parede inglês, no gosto pelo design de phillippe starck, e nos quitutes que vêm da cozinha. morar só é delícia.

TIBIRA, 48 anos, dono de antiquário, bela vista – aqui vive um colecionador à caça de histórias em forma de objetos. o apê de 90 m² parece um caleidoscópio de brinquedos de época, peças de design e luminárias hospitalares. máscaras, tubos de ensaio e bibelôs são cerejas do bolo do lar rock´n ´roll. morar só  é abrir caminho para novos achados.

IDA FELDMAN, 46 anos, várias profissões, bom retiro – assessora de imprensa, hostess, dona de loja on-line: uma holding em pessoa. escolheu o apê de 112 m² no bairro judaico para colar lembranças: a parede do banheiro tem etiquetas de viagens e pensamentos do dia. sua casa parece explodir de história e humor. morar só é não ouvir o barulho do mundo.

LIDIA LISBOA, 41 anos, artista plástica, centro – cômodas, mapotecas, mesinhas, mesonas. todo o espaço do mundo é pouco. a paranaense expande pelos cantos do apartamento, de 85 m² retalhos do passado, projeções do futuro e análises do presente. pão caseiro sempre há, bem como sorriso, coragem, amor e malandragem.  morar só é poder pintar o sete.


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